Review : Douze fois par an


Jeanne Cherhal
Originally uploaded by AdamGreen.

As 12 faces de Jeanne Cherhal. 12 vezes. 12 meses. Durou no entanto um pouco mais o percurso desta singer songwriter oriunda de Nantes. Em 2002 registou um concerto naquela mesma cidade, seguindo-se a edição de um album, também ele ao vivo, na companhia de Mathieu Bouchet, no qual ambos interpretam músicas tradicionais francesas. Entre 2002 e 2004 foi ganhando notoriedade ao abrir concertos de Jacques Higelin e de Vincent Delerm. Tornou-se então imperativo o registo dos seus trabalhos em estúdio. Desta urgência nasceu o seu primeiro album. Com ele conquistou a crítica sendo considerado em França o melhor album de 2004. Não se estranha esta ascensão meteórica quando se ouve « 12 fois par an ». Ao longo de 12 faixas somos conduzidos por arranjos de cordas, piano e uma estrutura bem mais pop que a de Kensington Square. A sua impressão digital, partilha-a com Delerm : as palavras adquirem um estatuto tal que nos prendem a atenção desde o início. Através delas, Jeanne olha as relações que a rodeiam, e o desencanto comum a todas elas. Em "Un couple normal" foca a "normalidade" de uma relação a três feita de promessas adiadas e de infidelidades. Em "Super 8" suspira por uma vida um pouco mais cinematográfica. "Le petit voisin" traz-nos a inadequação social de alguém cujos hábitos não respeitam os padrões aceites pelos seus pares. Todas estas personagens se sentem impotentes para mudar algo, vivem de aspirações, sem no entanto alterarem as suas relações. Tudo isto encontra o seu resumo em "Je voudrais dormir", a melodia de embalar que encerra o album. Aqui, na companhia de um dos seus heróis, Jacques Higelin, a jovem de Nantes, que já muito tarde desistiu do ballet para abraçar a chanson française, não apresenta, á semelhança das suas personagens, uma solução milagrosa. Quando face aos problemas, porque não simplesmente adormecer ?

« Je ne pense a rien/ enfin, a rien c'est dificille et même impossible/ je voudrais dormir...»

- Pedro Sousa