Review

The Kaiser Chiefs
Album : Employement

Entre Leeds e a Cidade do Cabo as afinidades até agora resumiam-se a Lucas Radebe, central do Leeds United na década de 90. Mas eis que em 2005 chegam os The Kaiser Chiefs, não se tratando de uma digressão da (des)conhecida equipa de futebol sul-africana, mas sim como uma das maiores promessas da renomeada "britrock". Oriundos de Leeds, o seu primeiro album Employement rapidamente emergiu nas primeiras páginas da imprensa especializada, muito pelo facto de, mesmo antes da sua edição, já rodar insistentemente na BBC Radio 1 {com actuações ao vivo no programa de Steve Lamacq, talvez a maior referência da estação após a morte de John Peel}. Com um conjunto de concertos de promoção que os levaram desde Londres a Glasgow, desde os EUA á Russia, os The Kaiser Chiefs passaram rapidamente a "next big thing". Quanto ao album, esse é uma confirmação da sonoridade celebratória que poderíamos encontrar em 'I predict a riot & Oh my god!', os dois primeiros singles da banda. Ambos gravitando em redor de refrões igualmente eficazes e viciantes, 'I predict a riot' é explosivo onde 'Oh my God!' consegue ser bastante irónico {« Settling down in your early twenties/sucked more blood than a backstreet dentist »}. Ao longo de 12 faixas {na sua edição especial que inclui a algo melancólica 'Team mate'} os The Kaiser Chiefs propõem uma viagem a um passado bem recente na pop britânica, evocando nomes como os XTC de Andy Partridge {'Modern way' justifica a inclusão de 'Making plans for Nigel' nos seus concertos} , os Blur {circa 'Modern life is rubbish'} aos quais não fogem sequer na escolha do produtor, o consagrado Stephen Street, ou mesmo uns Madness {cujo fantasma paira sobre 'You can have it all', tema que deveria ter sido incluido em 'Rise & Fall' de 1979}. Employement é um album de refrões repetidos e contagiantes, alimentado por guitarras frenéticas e por uma insustentável atracção pela melodia. Por esta altura muitos poderiam perguntar se isso não foi já feito em Glasgow á um ano ; porém, nem Employement teria lugar para 'Take me out' nem os Franz Ferdinand escreveriam um tema como 'Na na na na naa', três minutos de vícios pop construidos sobre repetidos na na na na na, três minutos do melhor de 'I should coco' {primeiro album dos Supergrass} ao qual não é alheio o facto de a vocalização enérgica recordar-nos o melhor de Gaz Combes e companhia. No final, onde 'Modern life is rubbish' arrastava-se pela letargia de 'Resigned', Employement embala-nos em 'Team mate', um tema que, á semelhança do resignado sósia de 1993, é edificado sobre um omnipresente Hammond. Qual o resultado final ? Enormes expectativas assentes naquele que é desde já um dos melhores albuns de 2005 ... Os The Kaiser Chiefs conseguem com este resultado ser catapultados para a "Premier League" britânica. Resta-nos esperar pelo final do campeonato. Para já seguem em primeiro. Á boa maneira britânica : aceitam-se apostas!
Pedro Sousa